DAI DE GRAÇA O QUE DE GRAÇA RECEBESTES

Outro dia reparei que no Brasil o negócio mais dinâmico que existe é a criação de empresas. Todo dia várias igrejas são criadas, assim como outras desaparecem.

O dinamismo que elas têm se deve a fatores que se fossem aplicados as demais empresas, faria do Brasil uma potência econômica. Igrejas gozam de isenção de impostos e suas criações tem uma burocracia inferior a de qualquer outro negócio. Se uma empresa tem uma arrecadação de 100 mil reais e é obrigada a pagar, digamos, 30% de impostos, uma igreja que tem uma arrecadação de 100 mil reais deveria ter que comprovar que gastou 30% de sua arrecadação no trabalho social (distribuindo cestas básicas, oferecendo serviços, doando roupas, doando remédios, etc).

Onde está o trabalho social destas igrejas que por si só contribuiria a sociedade. Já ouvi de certas igrejas que lá não é depósito, pq então elas querem nosso dízimo e nossas ofertas depositadas lá. Muitas não oferecem qualquer tipo de trabalho social, usando toda a sua arrecadação para comprar espaço nas tvs e nos rádios, onde mais uma vez também pedem recursos a seus fiéis. A tv e o radio, concessões públicas, acabam servindo aos interesses privados em virtude de dinheiro isento de tributação. Caridade com o povo.

Eu poderia citar por que não pagar o dízimo por que igrejas devem pagar os impostos por que o dever do político é cuidar da população.

Igrejas funcionam como empresas. Pastores e músicos muitas vezes recebem gordos salários para exercer seu “santo ofício”. Motivos para ser contra a isenção tributária para as igrejas sem prestação de contas. Muitas não oferecem qualquer tipo de trabalho social, usando toda a sua arrecadação para comprar espaço nas tvs e nos rádios, onde mais uma vez também pedem recursos a seus fiéis.

A tv e o radio, concessões públicas, acabam servindo aos interesses privados em virtude de dinheiro isento de tributação. Pela pouca ou nenhuma prestação de contas, muitas instituições religiosas acabam servindo para a lavagem de dinheiro. Nosso Estado é laico e não há motivo para oferecer privilégios indevidos às instituições religiosas.

Se as igrejas recebem isenção por causa do trabalho social que fazem, então é obrigação delas declarar ao Estado quanto e como estão gastando o dinheiro delas. Caridade é obrigação de qualquer religião decente. O Estado não pode premiar igrejas meramente por elas fazerem aquilo que já essencialmente obrigação delas. É como dar isenção fiscal a um prestador de serviço, apenas porque ele pratica determinado serviço benéfico a sociedade.

Esse ambiente acaba sendo ruim para as religiões sérias que acabam sofrendo preconceito e perdendo fiéis para religiões de aproveitadores. É injusto dar privilégios iguais para religiões sérias e religiões que só servem para roubar o povo. Todos estamos cansados de ver igrejas que não só não ajudam seus fiéis, mas acabam prejudicando suas vidas para sempre.

Aliás, por que uma igreja teria isenção de impostos para usar o dinheiro de seus membros para comprar mansões e aviões para suas lideranças? Por que igrejas teriam isenção de impostos para que seus líderes comprem bens(ex: Fazendas, apartamentos, etc) e os coloquem no nome da igreja só para não pagar impostos?

Todo o templo de qualquer culto cumprem uma função social? Claro que não.

Elas merecem algum tipo de função social? Fica claro que algumas religiões têm um papel social mais forte do que outras. Logo, como diferenciar uma religião decente de uma indecente se a nossa Constituição não tipifica isso. Assim fica fácil qualquer maluco inventar qualquer religião maluca e assim receber o dinheiro de seus fiéis. Igreja é uma entidade sem fins lucrativos?

Se olharmos para os patrimônios dos líderes da principais igrejas do Brasil, veremos que eles lucram bastante mesmo sendo líderes de “entidades sem fim lucrativos”.

“DAI DE GRAÇA O QUE DE GRAÇA RECEBESTES.” (Mateus 10v8b)8-

Só porque algo está na Constituição não significa que devemos ser compulsoriamente favoráveis a isso. Todos sabemos que nossa Constituição é lúdica para a nossa realidade e impõe ao Estado obrigações que fazem com que o contribuinte pague impostos elevadíssimos. Nem tudo que está na nossas leis é moral.

“Dai a Cézar o que é de Cézar, e a Deus o que é de Deus.” Mt 22.20 –

O texto bíblico é muito conhecido e no meio dos cristãos há quase uma unanimidade de que àqueles que querem seguir fielmente às Escrituras Sagradas devem “Dar a Cézar o que é de Cézar”, ou seja, pagar os seus tributos. Observa-se que esta ordenança bíblica deve ser aplicada a todas as pessoas, quer sejam pessoas físicas (naturais) ou jurídicas (empresas, entidades, igrejas, etc.). Logo, num país de maioria cristã, é inconcebível que igrejas não cumpram com aquilo que até a bíblia impõe.

A Igreja