Lá vem ela, lá vem ela!

Não desanimem, Ele vai voltar

Noites de paz
Esplendorosas noites de luar
Vento suave
Sete e trinta da noite, inverno

Lá vem ela, lá vem ela!
Do fundo do mar…
Esperou o sol desaparecer
Para chegar.

Nunca se precipita
Espera ordem
Do controle remoto do Deus,
Supremo artista.

Chegou de longe
Fazendo um luminoso caminho;
De prata.
Nas águas serenas do mar.

Veio com a sua luz
Entrando pelas janelas
Iluminando a cadeira
Em que estávamos lendo.

Lua cheia, redonda,
Numa noite clara de inverno.

Um cachorro late ao longe
Late um latido comprido
Quase choroso, e olha para a lua.

Ela vem com esplendorosa claridade
Uma rainha!

Sentado, com os cotovelos,
Apoiados na beira da janela
Não me canso de olhar essa lua.

Diante da sua claridade
Até as nuvens fogem.
As poucas nuvens
Que andavam circulando no espaço.

Eu sou a lua
Eu venho de longe
Minha luz não é minha.

Nessas alturas em que circulo
Tenho a luz do sol
Que me torna branca
Como uma mulher vestida de noiva.

Ele está longe
Muito longe
Mas ele me ilumina
De longe ninguem enxerga
Minhas saliencias
Vales e montanhas.

Tudo é luz
Que vem dele
Vocês tem razão de chamar o sol
De astro rei.

O pobrezinho de Assis
Chamou a ele de irmão sol
E a mim, de irmã lua.
Não tenho receio da escuridão.

Eu estou ai para iluminar a vocês
Com a luz que ele me ilumina
Minha caminhada já vai avançada
Quero dizer a vocês
Que não tenham medo.

Ele!
Vai voltar!

Na vida é assim
Quando a claridade desaparece.

Há pessoas que iluminam nossos passos
Para não caírmos em abismos e grotões.

Luas luminosas que dizem
Não desanimem
Ele vai voltar!

Texto
Frei Almir Ribeiro Guimarães