
A PACIENCIA DE DEUS
Quando Jesus censurou os fariseus, ele comparou a iniqüidade deles com a rebeldia dos judeus do passado. Enquanto os fariseus se identificavam com os profetas, Jesus se comparava com os assassinos dos profetas. Ele disse: “Assim, contra vós mesmos, testificais que sois filhos dos que mataram os profetas. Enchei, pois, a medida de vossos pais” (Mateus 23:31-32). No contexto, não há dúvida de que Jesus está perguntando sobre o juízo vindouro. Do capítulo 21 até o capítulo 25, ele desafiou a hipocrisia dos líderes judeus com desafios diretos, profecias e parábolas que nitidamente atacaram os pecados desses homens e alertaram sobre o castigo futuro. Encher a medida dos pais é a mesma coisa de continuar na rebeldia até que chegue o julgamento.
É no mesmo sentido que Paulo falou dos perseguidores que estavam “enchendo sempre a medida de seus pecados” (1 Tessalonicenses 2:16). Deus viu o pecado deles contra Cristo, contra os cristãos e contra as pessoas do mundo que necessitavam do evangelho, e resolveu trazer sua ira sobre esses inimigos. Em Apocalipse 6:9-11, Deus respondeu à súplica dos mártires com a promessa de trazer a vingança depois de pouco tempo.
Os homens facilmente se enganam, achando que a demora no castigo mostra que Deus não pretende punir os pecadores. Ele é longânimo, mas quando os homens enchem a medida dos pecados, ele os castigará (Leia 2 Pedro 3:1-18).
Quando Paulo escreveu à igreja de Tessalônica, ele comentou sobre as pessoas que perseguiram Jesus e seus discípulos, e disse que estavam “enchendo sempre a medida de seus pecados” (1 Tessalonicenses 2:16). Compreendendo o sentido dessa frase, entenderemos melhor o juízo de Deus.
Linguagem semelhante aparece algumas outras vezes na Bíblia. Em Gênesis 15, Deus prometeu que os descendentes de Abrão, depois de servirem como escravos num outro país, tomariam posse da terra de Canaã. A promessa não seria cumprida antes “porque não se encheu ainda a medida da iniqüidade dos amorreus” (Gênesis 15:16). Deus já viu o pecado desse povo, mas esperou mais alguns séculos antes de trazer o castigo contra ele. Ele sabia que a maldade do povo iria interferir no limite de sua paciência. Deus é longânimo, mas não é inocente, mas perigoso (Êxodo 34:6-7).